Autor: Odir Pereira*
O tema liderança tornou-se assunto dominante no âmbito das corporações modernas e mundo acadêmico. Pesquisas mostram dados preocupantes onde 2/3 das pessoas não estão comprometidas com a filosofia de ação e objetivos de suas organizações. Como decorrência, desenvolvimento de liderança é hoje reconhecido como sendo o desafio estratégico número um das organizações modernas. É uma necessidade crítica em todos os níveis da organização e que vai muito alem do tradicional ‘management’.
As mudanças e perspectivas atuais exigem que as lideranças ampliem seu campo de visão e de competências, com novas dimensões. Juntamente com a ênfase no desenvolvimento de lideranças, as empresas estão explorando novas formas de investir nos seus profissionais, comunidades e meio ambiente.Uma dessas formas é a valorização da diversidade cultural.
Corroborando com essas tendências, a globalização, conjugada com a velocidade dos desenvolvimentos tecnológicos, mudanças demográficas e o surgimento de uma nova classe de trabalhadores intelectuais, impõe a necessidade de abordagens inovadoras de gestão que, indispensavelmente, considerem a diversidade nos ambientes de trabalho. Pesquisa recente feita pela Revista EXAME mostra, por exemplo, que foi se o tempo em que nas empresas havia chefes e empregados. Perguntado sobre qual a palavra que hoje deve ser usada para descrever a pessoa que trabalha numa empresa e a pessoa que a comanda, quase metade dos entrevistados escolheram os termos ‘colaborador’ (antes mais reconhecido como empregado, trabalhador ou funcionário) e ‘lider’ (antes identificado como chefe, empregador ou patrão).
As novas abordagens objetivam alinhar expectativas pessoais com os propósitos da organização, visando produzir sinergia cultural e extrair da diversidade novas e melhores soluções. Poucas são ainda as empresas no Brasil que adotam programas formais orientados para a valorização da diversidade. Pesquisa do Instituto Ethos, mostra que apenas 3% das 500 maiores empresas brasileiras possuem programas bem definidos dessa natureza. As mulheres, por exemplo, representando 35% da força de trabalho ocupam apenas 9% de cargos de direção. Esses dados são ainda mais pífios para negros e outros grupos.
A melhor razão para se encorajar e valorizar diversidade, não é só por ser politicamente correto, mas porque é ético e favorece resultados altamente positivos como: redução de absenteísmo e turnover, atração e manutenção de melhores profissionais do mercado, maior inovação, entre outros.
Embora os benefícios sejam significativos, muitos são os obstáculos de ordem institucional, pessoal, ou de grupos na organização. Estes se manifestam de variadas formas como: preconceitos, etnocentrismo, esteriotipismo, discriminação, etc. Essa nova realidade exige sensibilidade na escolha de estratégias e práticas mais adequadas, considerando que o mix de grupos diversos (identificados por sexo, cor, religião, classe social, etnia, etc.) variam muito de organização para organização.
Embora não exista uma abordagem universal ou modelo perfeito, pode-se ganhar importantes ‘insigths’ em liderança e diversidade cultural através do estudo e experiências com estratégias, técnicas e práticas que organizações de sucesso estão adotando. Para isso é necessário desenvolver competências e habilidades de liderança para uma ação pró-ativa, visando capitalizar na diversidade. Este é o propósito do curso-workshop que a AHK-Câmara Brasil-Alemanha estará promovendo no dia 1 de dezembro próximo, orientado para profissionais e empresas sensibilizados com a relevância do tema. (poderia ser feito aqui uma referencia ao Flyer do evento na pág. xx?).
Diversidade, aliás, é uma característica marcante da cultura brasileira que oferece às empresas aqui operando, oportunidades excepcionais para o desenvolvimento de abordagens, experiências e modelos que a valorizem.
*Autor:
Odir Pereira é presidente do ILB-Instituto de Liderança do Brasil e HTI- South América. É Mestre em Management pela University of Califórnia, Los Angeles (UCLA) tendo atuado como empresário e executivo de grandes empresas no Brasil e no exterior. É professor da Azusa Pacific University, no programa de Mestrado em Liderança Organizacional, autor de múltiplos artigos (inclusive para Revista EXAME) e palestrante ativo em conferências nacionais e internacionais.
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